“Será 2023 o ano de um novo crash imobiliário?” – Hélio Dias, CEO da Terzzit Investments

Hélio Dias, CEO da Terzzit Investments

É normal nesta fase do ano surgirem diversas figuras tentando assumir um papel de oráculo da economia e, em especial, do imobiliário, não só pela conjuntura atual, mas pelo fantasma da “bolha imobiliária”. As previsões são variadas: um crash similar ao de 2008, uma descida abrupta dos preços, a escassez de oferta de casas…

Vou, então, vestir também a capa de profeta do imobiliário, mas socorrendo-me de alguns factos concretos e, acima de tudo, pondo de parte sensacionalismos e ilusões.

  1. As transações imobiliárias desceram em junho deste ano 7,6%, pela primeira vez desde fevereiro de 2021, coincidindo com o início da viragem das taxas de juro. Parece-me a mim que é certo que o número de transações que vão ocorrer em 2023 serão menores do que neste 2022, projetando uma quebra na ordem dos 14%.
  2. O Banco de Portugal revela que em agosto se deu uma queda (abrupta) do número de concessões de crédito à habitação, fruto das taxas de juro elevadíssimas, que diminuíram a capacidade de crédito das famílias, mas também reflexo da retração da procura devido à crescente inflação e o augúrio de tempos difíceis. Na verdade, a quebra em transações, na minha ótica, acontecerá na sua esmagadora maioria no segmento de primeira habitação e na classe média que necessita de 75% ou mais de crédito habitação para adquirir casa. Penso que quem atua no segmento premium do imobiliário e fundamentalmente em produtos de interesse para o cliente internacional, não sentirão nenhuma quebra em 2023. E, sem querer ser excessivamente otimista, devido à instabilidade na Europa, e não só, teremos um crescente volume de transações com clientes internacionais.
  3. Neste momento, as transações imobiliárias fazem-se fundamentalmente em imóveis usados, pois a falta de construção nova é evidente e tende a agravar-se. E isso, sim, poderá ser um problema a contribuir para a crise no sector, pois poderemos não conseguir ter oferta para o cliente internacional, que compra fundamentalmente obra nova (mais de 90% dos casos), e limitar este grande trunfo, fundamental para o sucesso do mercado imobiliário em 2023.
  4. Os preços não vão baixar, uma vez que, devido à falta de obra nova, a tendência é reforçar os valores já praticados hoje. E o que nos diz a história é que, até existir uma quebra de preços, precisamos de longos meses de crise imobiliária para que os proprietários optem por essa solução.

Em suma, tendo em conta a informação disponível à data de hoje, diria que existirá uma quebra genérica, mas o mercado internacional continuará a sustentar o sucesso do mercado imobiliário em 2023. E esta procura crescente, a par da falta de oferta, despoletará o interesse de ainda mais investidores, fazendo crescer projetos de promoção imobiliária, em especial nas zonas de elevado interesse internacional como o Oeste do país, Porto, Lisboa e algumas zonas da costa alentejana e Algarve.