Portugal Real Estate Summit – Mais de 80% dos investidores presentes no fórum de debate querem estar ativos na compra de imobiliário em 2022

Investimento até agosto deste ano totaliza já mais de 1.200 milhões de euros.

Na V edição do Portugal Real Estate Summit que teve lugar nos dias 29 e 30 de setembro, no Hotel Palácio Estoril, a indústria de investimento imobiliário mostrou-se otimista e planeia intervir ativamente no mercado no próximo ano.

O encontro resultou na intenção demonstrada por mais de 80% dos investidores presentes em investir em imobiliário no nosso país em 2022. A maioria (71%) acredita também que o próximo ano será de aumento de preços neste setor, de acordo com os questionários interativos em tempo real realizados no decurso dos trabalhos.

Este sentimento realça o dinamismo verificado já este ano no setor, com a Iberian Property, entidade organizadora do Portugal Real Estate Summit, a estimar que o investimento imobiliário em Portugal no acumulado de 2021 até agosto tenha alcançado um montante de 1.205 milhões de euros. Deste montante, 47% (561 milhões de euros) resultam de negócios concretizados nos últimos dois meses.

Numa altura em que ficou claro que o paradigma do investimento está a mudar, os segmentos alternativos ganham crescente atenção por parte dos investidores. De acordo com Dominique Moerenhout, CEO da EPRA, observa-se “agora uma abordagem mais temática dos investidores, que olham cada vez mais para o investimento segmento a segmento”. O responsável máximo da associação europeia de REITs frisou que o imobiliário continua a atrair os investidores, tendo sido um setor especialmente resiliente durante a pandemia. Dominique Moerenhout salienta que “o regresso aos níveis pré-crise acontecem cerca de 6 meses antes do previsto e a recuperação é cinco vezes mais rápida do que a observada durante a anterior crise, a Grande Crise Financeira”.

Segundo os especialistas das várias consultoras imobiliárias (Cushman & Wakefield, CBRE e Savills), Portugal faz parte desta esta tendência de diversificação do investimento, observando-se um maior equilíbrio na alocação de capital aos diferentes segmentos. Mesmo que os escritórios, o retalho e, cada vez mais, a logística se mantenham no radar dos investidores, os segmentos emergentes na área residencial, como o arrendamento construído de raiz (build-to-rent), as residências para estudantes e as residências sénior, têm um enorme potencial para captar investimento, tendo sido travados até à data pela falta de oferta disponível para investir. Também apontados como novas fontes de captação do investimento imobiliário em Portugal, são o segmento de imobiliário de saúde e bem-estar, além dos data centres e os ativos agrícolas.

De acordo com David Brush, CIO da Merlin Properties, um dos maiores investidores imobiliários estrangeiros ativos em Portugal, “além da análise aos setores de alocação do capital, a grande questão hoje é decidir se compramos para rendimento ou se construímos”. Na sua perspetiva, “as aquisições são cada vez mais difíceis de concretizar, especialmente quando a visão é de longo-prazo. Por isso, investir na fase da promoção do ativo pode ser uma oportunidade muito atrativa”.

Dos presentes, 70% acreditam que 2022 colocará o crescimento da economia em níveis pré-Covid e outros 24% defendem que será um ano em que a atividade económica superará esse patamar.O sentimento é partilhado pelos dois economistas convidados a comentar as perspetivas para a evolução da atividade, Ana Paula Serra, Administradora do Banco de Portugal, e José Brandão de Brito, Chief Economist do Millennium bcp.

De acordo com o comunicado “Com a presença do Presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, o tema do turismo foi também debatido, embora neste campo o otimismo seja bastante mais moderado. Entre os presentes, 53% acredita que a atividade turística está em recuperação e estará em 2022 próxima dos níveis pré-Covid, mas outros 40% defenderam que continuará claramente abaixo de 2019. Ainda assim o setor da hospitalidade não deixou de estar o mapa dos investidores, que se mostram divididos entre investir com certeza neste setor nos próximos dois anos (50%) e considerar investir, mas com prudência (outros 50%).”

Organizado pela plataforma Iberian Property, o evento contou com a presença de 250 representantes da indústria imobiliária portuguesa e estrangeira, incluindo investidores e promotores oriundos de Portugal e Espanha, Bélgica, Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, Suíça, França, Itália e Turquia. Estados Unidos, Canadá e Brasil foram outras nacionalidades presentes neste encontro cujo principal objetivo foi estabelecer um mapa para a recuperação económica da Ibéria, propondo um olhar atento sobre os mais diversos setores do imobiliário.

Nesta edição o evento contou com os apoios da Abreu Advogados, CBRE, Cushman & Wakefield, Explorer Investments, Morais Leitão, Savills e da Square Asset Management. O Grupo SIL, a Neoturis, a Nhood, a Merlin, a Reify, o GNB Real Estate e a Engexpor associam-se também ao Portugal Real Estate Summit, apoiando os diversos momentos do evento. Entre os patrocinadores institucionais alinham a ACAI, APAF, APFIPP, APPII, ASPRIMA, EPRA, REFINITIV e RICS.