“Portugal está cada vez mais no radar dos investidores”

O impacto do fim das moratórias traduzir-se-á em muitas operações de carteira importantes.

O 10°NPL IBERIAN FORUM, organizado pelo CMS Group, teve lugar ontem no Pestana Palace Hotel, em Lisboa. O encontro teve como objetivo criar experiências transformadoras para gerar novas ideias e oportunidades, debatendo o mercado NPL (Non-Performing Loans), um mercado que irá crescer como resultado da pandemia e irá criar muitas oportunidades para o setor imobiliário.

O evento reuniu os principais players da indústria NPL Servicing e os seus fornecedores para refletir sobre os principais tópicos relacionados com o presente e futuro do mercado NPL em Portugal, bem como para comentar as numerosas oportunidades que estão a surgir e como estão preparados para as abordar.

Após mais de dois anos, com vários períodos de confinamento e restrições fruto da pandemia, este foi um encontro crucial para a dinâmica do retorno às atividades, com algumas pausas para networking e vários temas em cima da mesa.

Entre os oradores convidados para o 10°NPL IBERIAN FORUM, estiveram nomes como José Covas, Managing Partner na Aura Ree Portugal, José Araújo, Central Manager no Millennium BCP, Hugo Velez, General Manager – Partner na HIPOGES, Bruno Estanque Viegas, Senior Vice President na Alantra, João Ribeiro, Real Estate Director na doValue Portugal, Marco Freire, Chief Executive Office, na Whitestar, Nelson Rêgo, Managing Director na Prime Yield, entre muitos outros.

Nos vários painéis foram discutidos temas como a incerteza e paralisação à reativação e resiliência, perspetivas do sector do crédito, oportunidades de investimento no mercado português de NPLs, avaliação, gestão e venda de carteiras, cessação de ajudas, despedimentos e moratórias e assinatura eletrónica, leilões em linha e soluções tecnológicas ao serviço da gestão de NPLs. O Brainsre News Portugal esteve também presente e destacou alguns momentos e opiniões nos diferentes painéis.

No painel “Economic backdrop and future challenges for the NPE’s sector: Portuguese debt market as na attractive investmente opportunity”, Rui Silva, Head of credit and collection, Banco Credibom refere “Quando olhamos para a regulamentação e o rácio dos 5%, olhamos também para as empresas e temos que manter um equilíbrio. Estamos numa zona cinzenta, onde existe uma visão positiva de que não vamos ser afetados pela guerra porque estamos no sul da Europa, mas por outro lado temos também um lado negativo devido à inflação que está a aumentar”.

José Araújo, Central Manager, Millennium BCP, acrescenta que “O mercado é muito diversificado nos REO’s e é um mercado diferente dos NPL’s. Acreditamos que não temos tantas oportunidades granulares e aumentaram os ativos em logística e retalho, é o que temos agora nas nossas carteiras, nos nossos portefólios”.

No painel Portfolio movements in the NPL market: What big transactions are talking place and what opportunities are to come?”, Luís Salvaterra, Managing director Intrum, salienta “Em 2020 vimos que o mercado parou, tendo poucas transações, em 2021 começou a melhorar e em 2022 as transações estão a começar a aumentar”.

No painel “The investor apetite in the Portuguese market: in a complex economic scenario, what is the vision of the investors when it comes to evaluate a debt portfolio?”, Marco Freire, Chief Executive Officer Whitestar, comenta que “O último trimestre de 2021 foi muito dinâmico e o primeiro semestre deste ano está também a ser muito ativo. O que os bancos estão a mandar para o mercado são os mix secure e unsecure portefólios. Temos visto investidores de unsecured que agora também compram secured, os investidores são muito leais ao mercado português, mas vemos cada vez mais novos investidores a entrar no mercado”.

No painel “Distressed Corporates and UTP’s. How to adress these complex asset classes?”, segundo João Ferreira Marques, Managing Partner, Active Capital Partners,“Estamos a viver duas crises diferentes, com a pandemia existiu um fecho quase total da economia, ninguém viajava e faziam-se poucas transações. Agora temos ainda um resultado indireto da pandemia associado a uma guerra, estamos a ver a inflação a subir, vários produtos a aumentar e subidas nos bens essenciais. Acredito que este seja um problema bem maior e que não vamos ultrapassar, como ultrapassámos a Covid-19.”

No painel “REO’s market Outlook in Portugal: Retail secured transactions. Asset investments as a great alternative in a global inflationary context.”, José Covas, Managing Partner, Aura Ree Portugal refere que “A maioria dos bancos limparam os portefólios de REO’s e o que continuamos a ver nos portefólios dos bancos são os granulares, mas também vemos ativos muito interessantes que ainda não foram tratados por questões legais, por questões de licenças. Neste momento, muito bancos estão com grandes oportunidades em alguns portefólios considerados excelentes. Este é um dos fatores que está a atrair muitos investidores, de todos os continentes. Todos os meses temos novos investidores a chegar ao país. Portugal está cada vez mais no radar dos investidores.”

Informações em: https://cmseventos.com/evento/10-npl-forum