Investimento de 3,5 mil milhões cria megacentro de dados em Sines

Um investimento da Start Campus, empresa detida pelos norte-americanos da Davidson Kempner Capital Management LP (Davidson Kempner) e pelos britânicos da Pioneer Point Partners.

Com início de construção previsto para 2022, envolvendo 900 pessoas numa primeira fase e até 2.700 no total, o Sines 4.0 deverá inaugurar no final de 2023 o primeiro dos cinco edifícios projetados, avança o Jornal de Negócios.

Num comunicado enviado à Lusa, a empresa anglo-americana aponta “pelo menos cinco grandes vantagens” que fazem de Sines uma localização “única e com potencial para se tornar num dos ‘campus’ de ‘data centers’ líderes da Europa”: Energia, escala, conectividade, arrefecimento e topografia marinha.

É destacada, a nível energético, a disponibilidade de obter energia de baixo custo a partir de fontes renováveis, através de muito boa conectividade com a rede elétrica nacional e com fácil acesso a energia verde competitiva, incluindo solar, eólica e (no futuro) de hidrogénio.

No comunicado, a empresa refere ainda dois fatores críticos de sucesso de Sines, que são a escala, com opções de terrenos e com potencial de expansão significativa para mais de 450 MW, e a conectividade, através dos cabos submarinos intercontinentais atualmente em construção e da excelente conectividade com o interior do continente europeu.

Outra vantagem da região é a possibilidade de arrefecimento a preço competitivo, altamente eficiente e sustentável. Através de instalações de refrigeração de água existentes, é possível usar a água do oceano para manter os servidores em temperaturas ideais e com potencial de reutilização do calor residual do Sines 4.0 para clientes industriais vizinhos.

Os promotores salientam, por último, a topografia marinha única da plataforma continental em Sines, que a torna numa excelente localização, com segurança e a baixo custo para a futura amarração de novos cabos submarinos.

De acordo com Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização, este “É um projeto de transição digital pelas oportunidades que os ‘data centers’ e a economia dos dados nos vão dar neste século XXI e, ao mesmo tempo, é de transição energética, porque cada vez mais quem investe procura localizações que possam ser abastecidas a partir de energias renováveis”.

No âmbito da apresentação, na sexta-feira, do projeto de um megacentro de dados global a instalar em Sines pela empresa de capitais anglo-americanos start campus, acrescentou em declarações à Agência Lusa, o “enorme potencial de exportação de serviços” do projeto anglo-americano de um ‘data center’ em Sines, que destaca como “o maior investimento estrangeiro captado pelo país desde a Autoeuropa”.