Habitação atinge volume de vendas de 30.000 milhões em 2021

Compradores nacionais asseguram 89% das transações.

De acordo com o relatório anual “Market 360º”, da consultora imobiliária JLL, a habitação continua a bater recordes e o mercado deverá retomar níveis pré-Covid em 2022 em áreas como os escritórios, hotelaria ou investimento.

Em 2021, o mercado imobiliário superou muitas das expetativas traçadas no início do ano. Naquele que foi o segundo ano da pandemia, a JLL assinala os desempenhos na habitação, no imobiliário industrial & logístico e também nos segmentos alternativos. Para 2022, a consultora estima que a atividade nas áreas ocupacionais, de investimento e promoção tenha uma trajetória de crescimento, regressando até aos níveis pré-pandemia. Ao mesmo tempo, a habitação, industrial & logística e o imobiliário de usos alternativos deverão continuar a registar bons desempenhos.

Para Pedro Lancastre, CEO da JLL, “o imobiliário voltou a surpreender, sendo um dos setores da economia com melhor desempenho e com um grande contributo para a retoma económica do país. É um mercado com grande impacto no PIB, que atingiu níveis de atividade nunca vistos em alguns segmentos e que só não foi mais além noutros segmentos por questões estruturais, como a falta de oferta ou constrangimentos conjunturais trazidos pela pandemia. O mercado imobiliário português continua com uma procura saudável e diversificada, com fundamentos sólidos e uma boa projeção internacional”.

A habitação superou em 2021 todos os anteriores níveis de atividade, com a transação estimada de 190.000 habitações e um volume de vendas de 30.000 milhões de euros, acompanhada por uma forte subida de preços (+12% face a 2019) motivada, sobretudo, pela falta de oferta. O mercado internacional protagonizou 11% das vendas, destacando-se a elevada dinâmica dos compradores nacionais, que garantem atualmente 89% das transações. A JLL não prevê que as alterações aos Golden Visa afastem a procura internacional, uma vez que Portugal é já um destino residencial reconhecido no estrangeiro.

Joana Fonseca, Head of Strategic Consultancy & Research da JLL, salienta que “na habitação o stock aumentou apenas 1,9% na última década, o que corresponde a cerca de 108.500 fogos, ou seja, menos do que se vendeu este ano. Nos alternativos, por seu lado, estima-se uma carência de 20.000 camas para residências de estudantes, enquanto nas residências seniores um estudo da JLL dá nota da necessidade adicional de 17.000 camas. Para não falar no setor de industrial e logística, onde a oferta é dominada por áreas obsoletas, o que acabou por travar a absorção. Os escritórios também se debatem com a falta de produto para ocupação imediata, mas é um dos segmentos onde a nova oferta está já mais desenvolvida, com cerca de 173.000 m2 em construção até 2023”.

Outro segmento a destacar foi o imobiliário de Industrial & Logística, no qual os níveis de ocupação passaram o patamar inédito de 700.000 m2. Marcada pelas operações de expansão, pré-arrendamento de espaços logísticos e lançamento de novos projetos, a atividade neste segmento não foi mais além devido à falta de oferta de espaços adequados à procura.

De acordo com o relatório anual, em 2021, também o segmento de Alternativos esteve em destaque com um excelente desempenho. A alocação de capital foi a mais elevada de sempre, com 684 milhões de euros de investimento registados, e uma diversificação de classes de ativos como foco de investimento. Os segmentos de Private Rented Sector (habitação para arrendamento) e de Saúde foram os mais dinâmicos, mas as residências Sénior têm registado uma atratividade crescente.

No Investimento, a aquisição de imóveis comerciais somou 2.020 milhões de euros, dos quais 80% de origem internacional, com a entrada de vários operadores novos, o que comprova a atratividade do mercado nacional.  Segundo Pedro Lancastre, 2022 “inicia com um conjunto de transações e portefólios de grande dimensão e o pipeline é robusto. Os ativos logísticos e operacionais serão um foco importante e os hotéis poderão também ressurgir como uma das classes de ativos mais fortes. Os centros comerciais tenderão a recuperar ao longo do ano, o que poderá despertar o apetite dos investidores mais para o final do ano. Nos escritórios, a carência de produto adequado pode afetar a alocação de capital em 2022, mas as perspetivas são bastante positivas assim que os edifícios em pipeline entrem no mercado, uma vez que a procura por estes ativos é muito forte. Lembremo-nos que foi o segmento com maior quota de mercado em 2021, de cerca de 40%”.

Quanto aos restantes segmentos, os Escritórios somaram 162.000 m2 de ocupação em Lisboa e outros 57.000 m2 no Porto, ambos em crescimento, de respetivamente 17% e 5% face a 2020, e com uma procura sólida por áreas de grande dimensão. No Retalho, verificou-se uma gradual retoma da atividade e o regresso dos consumidores aos espaços das lojas, sendo o Comércio de Rua um dos formatos que surpreendeu pela positiva, com uma forte aposta nas lojas de bairro e proximidade, colmatando a redução de fluxos turísticos. Na Hotelaria, o ano também foi de recuperação, mesmo que tímida, quer em termos operacionais quer de investimento, onde a atividade somou cerca de 296 milhões de euros.