Fundo Discovery à venda por 400 milhões de euros

Banca nacional colocou à venda as unidades de participação no fundo de turismo Discovery Portugal Real Estate Fund, que avaliam em mais de 400 milhões.

Segundo adiantou o jornal ECO, o BCP, o Novo Banco, a Caixa Geral de Depósitos e a Oitante (ex Banif) colocaram à venda as unidades de participação que detêm no fundo de promoção turística Discovery, gerido pela sociedade Explorer e que explora mais de 40 ativos em Portugal, incluindo o Six Senses Douro Valley e o Eden Resort, no Algarve. O fundo tem um valor patrimonial líquido de 850 milhões e as unidades de participação estão avaliadas em mais de 400 milhões de euros pelos próprios bancos.

No processo, que está a ser conduzido pela casa de investimento Holihan Lokey, os bancos BCP, Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos e o veículo Oitante, estão a vender as unidades de participação que detêm no fundo da Explorer, sendo que a sociedade gestora vai manter-se na gestão dos ativos após a transação.

Paralelamente, as instituições financeiras têm em curso a venda dos fundos de reestruturação da ECS, num negócio que vai numa fase mais adiantada e poderá ficar fechado por um valor a rondar os 1.000 milhões de euros. No entanto, verificam-se diferenças substanciais entre as duas transações que estão no mercado neste momento, além do valor dos fundos. No caso da ECS, a venda envolve os fundos de reestruturação e a própria sociedade gestora fundada por Fernando Esmeraldo e António de Sousa.

O jornal Eco revela que as circunstâncias deste negócio mudam o perfil de investidor em relação à venda da ECS. Quem comprar as unidades de participação terá de assumir uma gestão mais passiva do fundo, na medida em que a gestão dos ativos se manterá a cargo da Explorer Investments, enquanto os retornos deverão ser inferiores àqueles que os compradores da ECS poderão alcançar. Segundo o jornal, mais de uma mão cheia de fundos internacionais foram convidados a olhar para o portefólio da Discovery, sendo esperadas propostas não vinculativas algures na segunda quinzena de abril. Tudo indica que o contrato de gestão com a Explorer se irá manter com o futuro proprietário do fundo.

Quanto às instituições, o BCP tinha as suas unidades de participação no Discovery Portugal Real Estate Fund em cerca de 153,9 milhões de euros em 2019, o banco reviu, entretanto, em baixa o valor das suas exposições devido à pandemia. O Novo Banco avaliava a sua exposição ao fundo em 133,8 milhões de euros em junho do ano passado, já depois da correção efetuada face ao valor de 213 milhões de 2019. A Caixa atribui um valor de quase 80 milhões às unidades de participação do mesmo fundo. E a Oitante, avalia a sua exposição ao fundo em cerca de 56 milhões. No total, as quatro instituições avaliam o Fundo Discovery em cerca de 420 milhões de euros, faltando saber que ajustamentos foram feitos no ano passado devido ao impacto da pandemia no valor dos ativos.

O fundo Discovery foi criado em 2012, com uma maturidade de 15 anos, terminando em 2027. De acordo com uma descrição da Oitante incluída nas contas de 2019, o Discovery Portugal Real Estate Fund é um fundo especializado em investimento em projetos turísticos-imobiliários localizados em Portugal. A carteira inclui vários resorts de renome, nomeadamente, o Six Senses Douro Valley, o Eden Resort, o Dolce Campo Real e o Ramada Lisbon Hotel.