Destaques do Mês de Julho em Portugal

O mês de julho manifestou-se como um período de forte investimento, principalmente no segmento hoteleiro, em linha com o mês anterior que já tinha apresentado fortes apostas no que respeita a aquisições e inaugurações no setor.

Apesar do início do mês se ter apresentado sem energia no que respeita a transações, há que destacar um forte balanço a partir da segunda semana, em que estiveram também presentes algumas operações no segmento de escritórios, retalho e maioritariamente no segmento hoteleiro.

Em evidência esteve também o mercado de NPL’s, com o Novo Banco, o BCP, a CGD e o Santander a colocarem no mercado quatro carteiras de crédito malparado de grandes devedores. “Projeto Harvey”, carteira “Green”, “Mercury” e “Pool 54 & 55” são os nomes atribuídos às carteiras dos principais bancos portugueses.

Já no final do mês surgiu a notícia de que a JP Morgan AM e a MCH Investment Strategies fecharam um fundo de ativos para Portugal e Espanha com 370 milhões A JP Morgan Asset Management, uma das maiores sociedades gestoras do mundo, e MCH Investment Strategies, com cerca de 4.000 milhões de euros em ativos sob gestão ou representação, anunciaram o encerramento do primeiro fundo resultante da sua estratégia de aliança para o desenvolvimento, gestão e distribuição de programas de ativos reais em Portugal e Espanha. O fundo vai investir com grande diversificação por país, setor e tipo de ativo em infraestruturas, imóveis e meios de transporte.

Escritórios

Ainda o mês estava no início quando a Jamestown adquiriu o Entreposto de Lisboa por 98 milhões de euros. A Jamestown estreou-se no mercado imobiliário português com a compra do edifício de escritórios JQOne. A empresa de investimento e gestão imobiliária, com foco em design, anunciou em representação de um grupo de investidores, a entrada no mercado português com a aquisição do JQOne. O imóvel localizado na zona oriental de Lisboa, conta com 48 mil metros quadrados.

Com julho a terminar, a britânica Sixth Street comprou 15 edifícios da Quinta da Fonte por 150 milhões de euros. Os imóveis foram vendidos pela Signal Capital à Sixth Street em parceria com a Acacia Point Capital. Localizados na Quinta Fonte em Oeiras, o total dos 15 edifícios, poderá ser um dos maiores negócios do imobiliário deste ano. Com 80 mil metros de construção, a Quinta da Fonte tem um total de 22 edifícios, tendo esta operação sido para 15 deles.

Retalho

Também na primeira quinzena de julho foram anunciadas duas transações importantes. Primariamente foi vendida a loja do 266 Liberdade, em Lisboa, por 13,9 milhões de euros. O imóvel que conta com 1.300 m², localiza-se no antigo edifício do Diário de Notícias. Foi concluída a venda da loja ao fundo de investimento imobiliário aberto IMOFID gerido pela Fidelidade Sociedade Gestora de Organismos de Investimento Coletivo (Fidelidade SGOIC).

Entretanto, a Makro de Alfragide foi vendida por mais de 40 milhões de euros. A operação de sale & lease back engloba o terreno e os edifícios da empresa em Alfragide, incluindo edifício de escritórios e estabelecimento comercial. Em conjunto com a METRO PROPERTIES, entidade gestora do imobiliário da METRO AG, a makro Portugal vendeu o ativo ao Fundo de Investimento Imobiliário Aberto IMOFOMENTO, gerido e representado pelo BPI Gestão de Ativos O local conta com 25.400 m², dos quais 21.000 m2 são dedicados à loja e os restantes 4.400 m2 ao edifício de escritórios.

Já no final do mês, dois supermercados arrendados ao Pingo Doce na Quinta do Lago e Vale do Lobo foram vendidos por cerca de 6 milhões de euros. Os imóveis foram adquiridos ao BPI Gestão de Ativos por um fundo nacional, mantendo-se o retalhista alimentar como ocupante dos imóveis. Inserida em Vale do Lobo, a loja Pingo Doce está situada na zona de entrada do resort, somando cerca de 900 m2 de área bruta de construção. Localizada na zona da Praça Buganvília está a loja integrada no resort Quinta do Lago que totaliza cerca de 630 m2.

Hóteis

Sem dúvida que o segmento hoteleiro foi o que mais êxito teve no decorrer do mês de julho, com a maioria das operações do mês a fazerem parte deste setor.

Logo no início de julho, foi Inaugurado um hotel do Grupo Mercan num investimento de 11,2 milhões. O Hotel Casa da Companhia é o novo projeto hoteleiro de luxo do Grupo Mercan. A nova unidade localiza-se no centro histórico do Porto, junto aos principais monumentos da cidade. A Casa da Companhia é um investimento no valor de 11,2 milhões de euros, no restauro e reabilitação de um edifício histórico do século XVIII. O novo boutique hotel de cinco estrelas junta história, conforto e qualidade em cada um dos seus 40 quartos, dos quais 10 são suites.

Logo de seguida a Minor anuncia que vai gerir dois hotéis em Vilamoura avaliados em 29 milhões de euros. O Anantara Vilamoura e o Tivoli Residences, passam agora a ser detidos diretamente pelo grupo Minor.  A gestão dos hotéis passa assim para as mãos da Minor, depois da Marinoteis que até então geria estas unidades hoteleiras, passar por um processo de cisão. Após a cisão da Marinoteis, estas duas unidades foram transferidas para uma nova sociedade: a Minor Luxury Hotels Vilamoura que foi constituída com um capital social de 29,4 milhões de euros, valor igual ao dos ativos.

Entretanto a Azora compra dois hotéis de cinco estrelas no Algarve por 148 milhões. A gestora aumenta assim o investimento do seu fundo hoteleiro com a compra das unidades que serão exploradas pelo NH Hotel Group. A Azora European Hotel & Lodging fechou também um contrato de gestão para estas unidades com a Minor International (MINT). Os principais ativos da transação são o resort Tivoli Marina Vilamoura e o resort Tivoli Carvoeiro.

Mais a norte a Sonae Capital vendeu o Porto Palácio Hotel por 62,5 milhões de euros ao fundo CA Património Crescente, do Crédito Agrícola. Gerido pela Square AM, o fundo do Crédito Agrícola, adquiriu o complexo de edifícios, onde se inclui a unidade hoteleira de cinco estrelas, que tem uma área total de 48 mil metros quadrados.

O final do mês estava à porta quando se soube da abertura do Regency Salgados Hotel & Spa. com um investimento de 15 milhões de euros, resultado da reconversão de um edifício existente numa unidade hoteleira. A mais recente unidade de quatro estrelas de Albufeira, no Algarve, está localizada na zona dos Salgados e fica situada 400 metros da linha de água do mar. Disponibiliza 88 quartos distribuídos por 5 pisos.

NPL’s

O mercado de Non-Performing Loans em Portugal esteve este mês em destaque com a colocação de carteiras de NPL no mercado.

Surgiu em primeiro lugar a notícia de que o Novo Banco colocou à venda uma carteira de crédito malparado de grandes devedores no valor de 640 milhões de euros, designada por Projeto Harvey. O banco liderado por António Ramalho pôs à venda a carteira que engloba empréstimos em situação de incumprimento com o valor bruto de 640 milhões de euros, são dívidas de 20 single names que estão à venda neste pacote, contando com oito créditos de empresas e outros 12 créditos ligados ao setor imobiliário.

Entretanto o BCP, CGD e Santander põem no mercado carteiras de malparado num total de 368 Milhões. Em causa estão a carteira “Green” pertencente ao BCP, no valor de 150 milhões de euros, a carteira “Mercury” da Caixa Geral de Depósitos, no valor de 128 milhões de euros, e a carteira “Pool 54 & 55”, do Santander Totta, no valor de 90 milhões de euros.