Destaques do mês de Fevereiro em Portugal

O mês de fevereiro foi pautado por circunstâncias positivas e outras menos positivas, que no entanto, não se prevê que agitem o mercado imobiliário de forma mais nociva.

O imobiliário é o setor da economia que já ultrapassou, de diversas formas, as fases menos boas que se foram apresentando ao longo dos anos, mostrando-se sempre resiliente. Se por um lado, no início do mês se anteviu cada vez mais um alívio de restrições, provocadas pela pandemia Covid-19, que alegrou todos os setores da economia portuguesa, por outro lado, com o mês a terminar, chegou a triste notícia de uma devastadora guerra que pode inquietar a economia a nível mundial.

Contudo, o mês que dá as boas vindas ao Carnaval foi um período de grandes conquistas no que respeita ao mercado de investimento e de transações. Com enorme destaque para um dos setores que mais sofreu nos últimos dois anos, mas que manteve o seu dinamismo. Neste mês de fevereiro, os anúncios de grupos hoteleiros destacaram-se dos restantes segmentos, pela quantidade de investimentos.

Habitação

A habitação continua a dar cartas no que diz respeito a novos projetos, surgiu mais uma novidade com um novo condomínio a nascer na Antiga Fábrica do Prado em Matosinhos. A antiga fábrica de conservas de sardinha, que encerrou há cerca de 20 anos, está a ser totalmente reabilitada e vai dar lugar a 30 apartamentos, com tipologias T1 a T5, a apenas 200 metros da praia. O empreendimento está localizado numa das principais avenidas daquela cidade e a comercialização está a cargo da JLL e da Predibisa. O valor do investimento não foi revelado.

Escritórios

Também a norte, no segmento de escritórios, a Sonae Sierra e o Grupo Ferreira anunciam que vão desenvolver um complexo de escritórios de última geração no Porto. O projeto enquadra-se na estratégia da Sonae Sierra de desenvolver as cidades do futuro e na estratégia do Grupo Ferreira de estar presente nos mercados exigentes e com grande procura. O complexo com um investimento de 42 milhões de euros, será desenvolvido com uma arquitetura contemporânea, flexível e com exigentes requisitos de sustentabilidade. O complexo de escritórios será desenvolvido com uma linguagem arquitetónica contemporânea, da autoria da Broadway Malyan, com especial ênfase na flexibilidade, inovação e sustentabilidade, priorizando a qualidade dos espaços, o conforto e o bem-estar das pessoas.

Logística

Entretanto, a cadeia de supermercados alemã Aldi, anunciou o investimento de 50 milhões de euros numa plataforma logística em Santo Tirso. Prevê-se que a construção inicie em março e a plataforma deverá estar operacional em meados de 2024. O projeto será construído na Área Empresarial da Ermida, que corresponde aos terrenos da Quinta da Chinesa. A plataforma logística irá ocupar um terreno de 160 mil metros quadrados, dos quais 40 mil corresponderão a área construída.

Retalho

Já na capital portuguesa, a Principal anunciou a aquisição de um supermercado em Lisboa por 10,2 milhões de euros. A Principal Global Investors adquiriu o supermercado na Grande Lisboa, Portugal, para o Fundo “Principal European Durable Income Fund” (PEDIF). O ativo está localizado em Setúbal, conta com 2,700 m2 e tem um contrato de arrendamento de longo-prazo de 15 anos com o Continente, líder de retalho alimentar em Portugal e parte do Grupo Sonae.

Hotéis

Este foi o segmento que maior destaque teve no panorama imobiliário no mês de fevereiro. The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel abriu portas num investimento de 12 milhões de euros, a nova unidade hoteleira de 5 estrelas, resulta da reabilitação de uma parte da Estação Ferroviária de Santa Apolónia, em Lisboa. The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel conta com um total de 126 quartos.

Entretanto, o Grupo Vila Galé anunciou que vai investir cerca de 35 milhões de euros, este ano, em quatro hotéis nos Açores, Tomar e Beja. Entre as novidades conta-se o investimento de 12 milhões de euros na renovação de parte do antigo Convento e Hospital de São Francisco, em Ponta Delgada, Açores, reconvertendo-o num hotel de charme, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia. No centro da cidade de Tomar, a Vila Galé vai recuperar e reabilitar várias áreas do antigo Convento de Santa Iria e do Colégio Feminino, com um investimento a rondar os dez milhões de euros. Para Beja, o grupo hoteleiro tem dois projetos em carteira: O Vila Galé Nep Kids e o Vila Galé Monte da Faleira. O primeiro, com custos a rondar os dez milhões de euros e o segundo o grupo vai ainda investir cerca de três milhões de euros num novo agroturismo.

Também o Grupo IHG vai investir em novos hotéis em Portugal. A grande novidade é a estreia da marca da IHG, Staybridge Suites, que abrirá portas na cidade do Porto e em Carcavelos. Porto, Cascais, Lisboa e Évora são os locais escolhidos para as cinco novas unidades hoteleiras em que o InterContinental Hotels Group pretende investir. Com abertura prevista entre 2022 e 2025, a InterContinental Hotels Group (IHG) pretende investir em cinco novos hotéis em Portugal. Os valores de investimento não são até à data conhecidos.

Ativos Alternativos

Mais a sul, surgiu o anúncio de que a Fábrica da Cerveja em Faro vai ser transformada num hub criativo. O investimento da Câmara Municipal de Faro é de 13,4 milhões de euros e insere-se na candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura 2027. A reabilitação demorará cerca de cinco anos até ficar totalmente concluída, destina-se ao uso de uma rede de parcerias locais, regionais, nacionais e internacionais. A intervenção vai passar por quatro fases, estimando-se que as duas primeiras possam estar concluídas em 2026 ou 2027.

NPL

No segmento de Non-Performing Loans, o Montepio anunciou que prepara a venda de uma carteira de malparado e imóveis, a instituição bancária contratou o banco de investimento japonês Nomura para conduzir a operação. Ao todo a carteira de NPL ronda os 1,4 mil milhões de euros, mas inicialmente deverá sair do banco um portefólio de 500 milhões. Os grandes players do mercado não foram convidados a participar. O Nomura estará a auscultar o mercado, num grupo restrito de investidores.