Compra de habitação por estrangeiros em Lisboa atinge recorde de 923 milhões de euros

No total foram adquiridos 1.767 imóveis residenciais.

Os dados ontem divulgados pela Confidencial Imobiliário, abrangem transações de habitação concretizadas por particulares na Área de Reabilitação Urbana de Lisboa (ARU).  No total os estrangeiros adquiriram 1.767 imóveis residenciais na ARU de Lisboa em 2021, perfazendo um montante total de 923,1 milhões de euros.

No ano em análise contabilizaram-se 83 nacionalidades estrangeiras a adquirir habitação, traduzindo-se numa atividade anual recorde.  O montante investido fica mais de 20% acima do melhor ano de investimento estrangeiro, que tinha sido 2019, com 762 milhões de euros transacionados. A evolução de 2021, em número de imóveis, face ao melhor ano foi de 6%, comparando-se igualmente a 2019, quando os estrangeiros adquiriram 1.673 imóveis residenciais.

Os estrangeiros investiram em média 523,0 mil euros por operação durante o ano passado, num ticket médio de investimento internacional que alcançou um novo máximo ao superar, pela primeira vez, os 500,0 mil euros por transação. Valor que fica 48% acima dos 353,7 mil euros investidos, em média por operação, pelos portugueses no mesmo período.

De acordo com Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, o resultado do ano foi impulsionado pelo comportamento do segundo semestre, o que poderá ser explicado, adianta o responsável “não só pelo desconfinamento, mas também, provavelmente, devido à procura relacionada com vistos gold, cujas regras se viriam a alterar no início do ano em curso, com fortes restrições na elegibilidade da aquisição de imóveis em Lisboa”.

Os compradores que apresentaram maior dinamismo foram os norte-americanos, perfazendo 134 milhões de euros em aquisições residenciais na ARU de Lisboa (quota de 15% no montante de investimento estrangeiro). A nacionalidade foi seguida pelos franceses, com 126,1 milhões de euros transacionados (quota de 14%), e pelos chineses, com 119,7 milhões de euros investidos (quota de 13%). A nacionalidade britânica atingiu a 4º posição, com 91,4 milhões de euros transacionados (quota de cerca de 10%), sendo o top 5 integrado ainda pelos brasileiros, que totalizaram um investimento na ordem dos 67,7 milhões de euros, correspondentes a uma quota de 7%.

No que respeita a freguesias, Santo António continua a ser o principal alvo do capital estrangeiro, captando 176,6 milhões de euros em 2021. A segunda freguesia mais procurada por não-residentes foi a freguesia de Arroios, somando 142,7 milhões de euros de aquisições em habitação, seguida pela Estrela, onde o investimento internacional totalizou 106,9 milhões de euros. A única freguesia do Centro Histórico entre os cinco principais destinos de compras internacionais, a freguesia da Misericórdia apurou um investimento de cerca de 100 milhões de euros. O top 5 é ainda integrado pelas Avenidas Novas, que captaram cerca de 98 milhões de euros de investimento estrangeiro no ano passado.

De acordo com a Confidencial Imobiliário, ficando em 38% do montante total investido em habitação em 2021 na ARU de Lisboa, os estrangeiros mantiveram a sua quota de mercado estável, pois também o investimento de origem portuguesa evoluiu de forma positiva face ao pré-Covid. Os portugueses investiram 1.535 milhões de euros na compra de 4.354 imóveis na ARU de Lisboa em 2021. Este valor reflete um aumento de 10% face a 2019, enquanto o número de imóveis é semelhante ao registado em 2019.

Desta forma, foram adquiridos cerca de 6.100 imóveis de habitação na ARU de Lisboa, entre estrangeiros e portugueses, num investimento de 2,46 mil milhões de euros. O montante investido em habitação na Área de Reabilitação Urbana de Lisboa subiu 14% em comparação com 2019, enquanto o número de operações se manteve inalterada face ao pré-Covid.