“A EXPO’98 e o boom dos escritórios”

A zona oriental de Lisboa era um cenário completamente diferente, antes de existir um Parque das Nações ou uma Exposição Internacional de Lisboa. A EXPO’98 foi inaugurada dia 22 de maio de 1998 e encerrada em 30 de setembro do mesmo ano. Ao longo de mais de duas décadas, a zona transformou-se num ponto de atração turística, foram nascendo jardins, escolas, skate parques, comércio e também muitas empresas e escritórios escolheram esta localização para a sua atividade.

A realização da Exposição Mundial de Lisboa foi o pretexto para concretizar um projeto de renovação urbana que contribuiu para revitalizar uma zona da cidade de Lisboa, num prazo de execução muito curto, desencadeando uma nova centralidade. As obras começaram 5 anos antes do evento e, durante este período, Portugal conseguiu transformar dezenas de hectares de uma zona degradada, suburbana e quase abandonada naquilo em que se transformou num caso de estudo internacional. A obra começou do zero, onde antes existiam indústrias, refinarias, contentores, espaços abandonados, matadouros, terrenos arenosos, fábricas, rio, betão e lama, existe hoje uma cidade rica e moderna dentro da própria cidade. Uma pequena cidade em que a maioria das zonas do Parque das Nações foram sendo vendidas para habitação e escritórios. Entretanto, o Parque das Nações foi oficialmente constituído como freguesia do concelho de Lisboa em 8 de novembro de 2012, pertence à Zona Leste da capital, conta com 5,44 km² de área e segundo os últimos resultados dos censos de 2021, tem 22 382 habitantes.

Após a EXPO’98, este terreno converteu-se na nova centralidade urbana, de caraterísticas mistas e polivalentes da capital portuguesa. O recinto que outrora recebeu mais de 11 milhões de visitantes, vindos dos quatro cantos do mundo em apenas quatro meses (valor próximo ao número de habitantes em Portugal), continuou a ser fortemente procurado para investimento estrangeiro. Ao longo de cinco quilómetros de frente ribeirinha e depois de uma operação de regeneração urbana e social, encontramos nos últimos anos uma das zonas mais procuradas e privilegiadas de Lisboa.

O Parque das Nações é agora uma das zonas mais dinâmicas da capital, os principais fatores que ditam esta tendência, são os locais centrais com bons acessos, assim com uma rede de serviços complementares. “Where do Companies Want to Be?”, foi um estudo elaborado pela Savills, que analisou a performance do mercado ocupacional de escritórios, assim como os movimentos migratórios das empresas durante o 1º trimestre do ano. O Parque das Nações foi uma das principais zonas de mercado que atraíram as percentagens mais elevadas em termos de volume de absorção por parte de Novas Empresas. Seguiram-se relatórios mensais de outras consultoras que dão conta que o Parque das Nações é o destino mais procurado e as empresas de Serviços Financeiros as que mais absorvem espaço na ocupação de escritórios.

Esta zona caracteriza-se pela oferta competitiva de bens e serviços e pela qualidade de vida que proporciona. O urbanismo, o planeamento, as infraestruturas e arquitetura, deram lugar a uma nova realidade urbana. O modelo de gestão implementado durante os 5 anos de obras, foi capaz de garantir a qualidade deste espaço urbano, reconhecida a nível nacional e internacional. A grande exposição de 1998, foi bem mais do que o Pavilhão de Macau, do que o Oceanário, do que o maior fogo de artifício visto no país, foi uma requalificação e reabilitação que influenciou toda a área de Lisboa e o país no geral. O mundo pula e avança, mas o Gil por lá permanece de braços abertos para nos receber, como símbolo da Exposição Internacional de Lisboa, a eternizar fotografias de miúdos e graúdos.