A arte de bem “vestir” os escritórios

‘Fit-out’ é frequentemente utilizado em relação a empreendimentos de escritórios, onde a construção da base é concluída pelo promotor, e o ajuste final pelo ocupante. É um termo utilizado no mercado imobiliário para descrever o processo de tornar os espaços interiores adequados para a ocupação. Além do segmento dos escritórios, a hotelaria, comércio de rua ou de Centros Comerciais, foram os segmentos que mais contribuíram para o crescimento do mercado de fit-out no imobiliário, que tem sido bastante procurado em Portugal. Prova disso, é o aumento de volume de projetos concretizados no país, nos últimos anos.

Em linha com a própria evolução do mercado, o segmento de escritórios representa uma parte significativa do volume de negócio. Esta é uma área que tem vindo a evoluir consideravelmente e as empresas procuram cada vez mais criar espaços inovadores, com um maior grau de complexidade a nível da concepção e construção. Algo que tem sido ainda mais evidente, após o início da pandemia, em que todos tivemos que reajustar e readaptar os espaços de acordo com as nossas necessidades.

O Fitting out tem algumas exigências, tais como um controlo rigoroso e um acompanhamento profissional. É necessário durante todo o processo criar condições que garantem às empresas construir os seus escritórios ou outros imóveis, numa óptica de cumprimento de todos os requisitos e objetivos iniciais. Normalmente é a partir do momento em que se conhece o cliente que se dá início ao processo de criação, é por isso essencial entender como cada cliente se quer posicionar face ao seu negócio, mas também de acordo com a sua imagem corporativa.

Recentemente a consultora Cushman & Wakefield realizou um estudo sobre as obras de fit-out, em 26 cidades, de 15 países. Neste estudo, onde se analisa e compara o panorama de construção e custos de fit-out em cidades europeias como Madrid, Barcelona, Praga, Milão e Roma também se encontra a cidade de Lisboa. Segundo a análise, os custos de construção na capital portuguesa são, em média, mais elevados do que na capital espanhola ou em Barcelona, e semelhante aos valores de Roma, Praga e Amsterdão, por outro lado existe também escassez de mão de obra qualificada em Portugal. A consultora destaca ainda a falta de matéria-prima que dá origem à subida dos preços de construção, observando-se também um aumento significativo nos prazos de entrega de materiais e equipamentos, perante um cenário em que a procura é maior que a oferta. Concluiu-se com este estudo que existe uma pequena dimensão do mercado de fit-out em Lisboa, com poucos players e fornecedores, aumentando o custo médio de construção, em comparação com outras cidades que se assumem como mais caras.

Cada projeto tem a sua especificidade, no entanto o modelo compreende uma análise de necessidades do que o cliente precisa, sendo essencial desenvolver conceitos e soluções que acrescentem valor, cumprindo de forma rigorosa todas as expectativas do cliente. É imprescindível encontrar soluções que criem espaços de qualidade, que elevem o bem-estar e o trabalho das equipas, podendo tirar o máximo de partido dos espaços modernos e dinâmicos onde estão integradas.

Durante anos, os escritórios eram vistos como espaços enfadonhos, não agradáveis à vista e às dinâmicas de trabalho, contudo nos dias de hoje o escritório é visto como o prolongamento de cada colaborador, sendo essencial promover estas mudanças, aceitando desafios para ambientes mais produtivos e mais descontraídos.